A história de uma paixão que nunca se acaba
Após uma desastrosa campanha no Campeonato Mineiro de 1987, o Esporte Clube Democrata foi rebaixado para a Segunda Divisão do Futebol mineiro. Foi um período difícil. Na estréia da Pantera na Segunda de 2008, contra o Ateneu de Montes Claros, a imprensa não compareceu para fazer a cobertura do jogo, a torcida sumiu do estádio e a diretoria democratense se viu obrigada a franquear a entrada de torcedores sócios do Recanto da Pantera no Mamudão, para que o clube não passasse o vexame de ter que jogar com estádio vazio.
E foi num estádio vazio que quatro valadarenses se encontraram e resolveram mudar a história da torcida democratense. Tim Filho, Edmilson Rodrigues, Renan Geraldo Gomes e Claudenil Nego, com duas cornetas e uma bandeira, fundaram a Pantera Cor-de-Raça, alimentando o sonho de ver a sua torcida grande, igual a dos grandes clubes brasileiros.
Até então, o Democrata entrava em campo com algumas palmas e se o gol não saísse nos primeiros 15 minutos, a torcida começava a xingar jogadores, comissão técnica e diretoria. Quantos atritos entre jogadores e torcida houveram nestes tempos? Foram vários.
Mas a Pantera Cor-de-Raça mudou definitivamente esta história. Seguia o ano de 1988 e o Democrata já dava sinais que voltaria para a Primeira Divisão. Apenas a Rádio Ibituruna acompanhava o Democrata nos jogos realizados fora de casa. Welson Diniz, Jairo Taborda, Beto Teixeira e Carlos Augusto, radialistas da Ibituruna, eram os responsáveis pelas notícias que vinham dos “horríveis” estádios da Segunda Divisão.
A Pantera Cor-de-Raça torcia com o radinho no ouvido, sonhando com um Democrata forte, disputando a Primeira Divisão em 1989. E o sonho de todos se tornou realidade. Mesmo com uma derrota para o Araxá, por 1 a 0, o Democrata conquistou o direito de voltar a Primeira Divisão, beneficiado pela derrota do Pouso Alegre para o Atlético de Três Corações.
A Pantera conquistou a vaga para a Primeira Divisão de 1989, junto com o Flamengo de Varginha, mas foi covardemente tirada da competição após se classificar para o octogonal final. O pesadelo democratense começou quando o STJD determinou a realização de um outro jogo entre Pouso Alegre e o Atlético TC, alegando que os torcedores de Três Corações haviam coagido os jogadores do Pouso Alegre. Na nova partida, o Atlético TC não pode entrar em campo porque já havia desfeito o seu plantel. O Pouso Alegre, então, ganhou os pontos por WO e a vaga que pertencia ao Democrata na Primeira Divisão.
Iniciou-se uma batalha judicial infinda, num processo desgastante que entristeceu a todos. Mas a Pantera Cor-de-Raça não baixou as armas. Brigou como nunca pela volta do Democrata. Seus integrantes estiveram na Federação Mineira de Futebol solicitando ao presidente daquela entidade, Elmer Guilherme, que incluísse o Democrata novamente na Primeira Divisão.
Mas o imbróglio judicial estava feito. Depois de muita luta e muita discussão, o Democrata voltou à elite do futebol mineiro, em 1991. Os valentes torcedores da Cor-de-Raça fizeram bandeiras, compraram instrumentos de percussão e no dia da estréia do Democrata no Campeonato Mineiro de 1991 fizeram uma festa inesquecível no Mamudão. Naquele dia, o Democrata enfrentou o Atlético e empatou em 1 x 1. Sérgio Araújo marcou para o Galo. Um garoto do time de juniores da Pantera, marcou o gol de empate. Este garoto era Marcelo Alves, que mais tarde se tornaria um dos grandes craques do futebol brasileiro.
Se antes o estádio ficava vazio, com alguns gatos pingados xingando jogadores e vaiando até minuto de silêncio, hoje a história é diferente. Se antes algumas palmas saudavam o time na entrada em campo, hoje é tudo muito diferente. Quando o Democrata entra em campo, a festa da Pantera Cor-de-Raça e das outras torcidas organizadas sacode a região da Esplanada. Pode chorar freguesia, a maior torcida do interior é a da Pantera. É uma paixão que nunca se acaba.
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